3 de agosto de 2014

Darwin não acreditava que outrora existiu o PANGEA (Único continente)






Darwin fez um comparativo com as espécies do arquipélago Galápagos com as espécies da América e os resultados comprovam a analogia entre eles, o mesmo comparativo é feito na população do arquipélago de Cabo Verde com os habitantes africanos, obtendo-se o mesmo resultado.
Observando o texto acima, subentende (corretamente) que estas regiões ou espécies são semelhantes devido a uma interligação entre continentes em um tempo remoto, conhecida hoje por “Pangea” (um único continente), tão disseminada nos livros didáticos. Mas Darwin não acreditava nesta possibilidade, como pode se notar no texto abaixo:

 "As populações das ilhas do arquipélago de Cabo Verde tem as mesmas analogias com os habitantes da África, como os habitantes das Galápagos com os tipos americanos... É evidente, pelo contrário – segundo a teoria que defendemos – que as ilhas de Galápagos – quer em consequência de uma antiga ligação com a terra firme (se bem que eu não partilhe esta opinião), quer por meio de transporte casual... Mas as ilhas, embora em frente uma das outras, são separadas por braços de mar muito profundos, geralmente mais largos do que a Marcha, e nada indica que fossem outrora unidos (DARWIN, 2010[1859], p. 291-293). “grifo do autor”
Localização Cabo Verde e o continente africano.


Localização das Ilhas de Galápagos e o continente americano.

Observa-se no texto acima que Darwin não acreditava nas semelhanças nestas regiões provindas de uma possível “união” de todos os continentes (PANGEA). São ensinados em todas as escolas fundamentais e média do Brasil que essas analogias apontadas por Darwin são decorrentes da união de todos os continentes. Ao se separarem devido às placas tectônicas, cada espécie ficou nas regiões correspondentes outrora ligados.
Outro texto extraído do livro “A origem das espécies” mostra que Darwin estava convicto a respeito da não união dos continentes.

Placas tectônicas que separaram os continentes.  
Nenhum geólogo contesta as grandes alterações de nível que se têm produzido durante o período atual, alterações de que os organismos vivos têm sido contemporâneos. Eduardo Forbes insistiu no fato de todas as ilhas do Atlântico deverem ter sido, em época recente, ligadas à Europa ou à África, da mesma forma como a Europa estava ligada à América. Outros sábios têm igualmente lançado pontes hipotéticas sobre todos os oceanos, e ligado quase todas as ilhas a um continente. Se pudesse prestar-se inteira confiança nos argumentos de Forbes, necessário seria admitir que todas as ilhas foram recentemente ligadas a um continente. Esta hipótese corta o nó górdio da dispersão de uma mesma espécie para os pontos mais distantes, e remove muitas dificuldades; mas, tanto quanto o posso julgar, não creio que estejamos autorizados a admitir que houve-se alterações geográficas tão extraordinárias nos limites do período das espécies existentes. Parece-me que temos numerosas provas de grandes oscilações do nível da terra e do mar, mas não alterações bastante consideráveis na posição e na extensão dos nossos continentes para nos dar o direito de admitir que, numa época recente, todos tenham sido ligados entre si assim como às diversas ilhas oceânicas (DARWIN, 2010[1859], p. 268-269)." “grifo do autor”
Darwin acreditava na possível analogia entre lugares tão distantes pelo acaso, por exemplo, encontra-se notório no livro “A origem das espécies” no Capítulo XII “Distribuição geográfica” a partir da página 263 a 297, que os pássaros seriam os agentes responsáveis pelo transporte da vegetação para regiões tão distantes, observa-se tal fato no texto abaixo.

"As aves vivas não podem deixar de ser agentes muito eficazes para o transporte de sementes. Poderia citar um grande número de fatos que provam que as aves de diversas espécies são frequentemente arrastadas pelas tempestades a imensas distâncias no mar. Podemos com toda a segurança admitir que, nestas circunstâncias, devem atingir uma velocidade de vôo cerca de 56 km por hora. (...) Poderia também demonstrar que os cadáveres de aves, flutuando no mar, nem sempre são imediatamente devorados; ora, um grande número de sementes podem conservar por muito tempo a sua vitalidade no papo das aves que flutuam; assim, as ervilhas e as ervilhacas são mortas por alguns dias de imersão em água salgada, mas, com grande surpresa minha, algumas destas sementes, tomadas do papo de um pombo que tinha flutuado em água salgada durante trinta dias, germinaram quase todas (DARWIN, 2010[1859], p. 271)." “grifo do autor”
Conclui-se que para Darwin a semelhança entre a flora em continentes distantes é devido ao transporte de aves e nunca pela união de todos os continentes, as aves ao se alimentarem deixam sementes intactas no papo ou nas vísceras, de forma que quando esta chega à outra região e morre, ou defeca, deixa semente que em contato com o solo germinam.
Para Darwin as aves também fazem essa transferência da vegetação a regiões longínquas, através de suas patas, pois em contato com a lama que contem sementes, estas lamas ao grudarem nas patas dos animais, são carregadas pra qualquer lugar, e brotar em regiões muito distantes, como se pode notar no texto abaixo.


"(...) as numerosas aves que são anualmente arrastadas pelas tempestades a distâncias consideráveis no mar, assim como as que emigram cada ano, os milhões de codornizes que atravessam o Mediterrâneo, por exemplo, devem ocasionalmente transportar algumas sementes escondidas na lama que lhes adere ao bico e às patas... Ora, as aves desta ordem são geralmente grandes viajantes e encontram-se por vezes até nas ilhas mais distantes e mais estéreis, situadas em pleno oceano. É pouco provável que pousem na superfície do mar, de modo que a lama aderente às patas não sofre o risco de ser tirada (DARWIN, 2010[1859], p.263-297)."



Referências bibliográficas.

DARWIN, C. A Origem das Espécies. Porto: Lello & Irmão, tradução de Joaquim da Mesquita Paul. 2003. 572p.

DARWIN, C. A Origem das Espécies. São Paulo: Folha de São Paulo, 1ª Ed, tradução do Eduardo Nunes Fonseca. 2010. 368p.

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