Astrônomos brasileiros registraram raros
vídeos da reentrada de um satélite da Starlink na atmosfera terrestre. Câmeras
da Exoss e da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) captaram as
imagens sobre o interior de São Paulo por volta das 23h da última sexta-feira
(11). A Bramon utilizou imagens de duas de suas estações, ambas em Nhandeara
(SP), e de uma câmera de seu parceiro Clima ao Vivo, em Monte Azul Paulista
(SP), para calcular a trajetória. Estima-se que o satélite começou a queimar
acima do Centro-Oeste e Sudeste - pequenos detritos podem ter caído sobre o
Estado de São Paulo
Como o satélite se despedaça e queima ao
entrar na atmosfera, é possível ver diversas bolas de fogo riscando o céu,
juntas e lentamente. Internautas do interior do Estado relataram, nas redes
sociais, terem visto o fenômeno - alguns pensando se tratar de um meteorito ou
até OVNI.
O satélite em questão era o Starlink-32,
lançado em 24 de maio de 2019, em um foguete Falcon-9, no primeiro lote do
projeto. A reentrada já estava prevista para acontecer nesta data,
possivelmente sobre o Brasil ou Oceano Atlântico, de acordo com os dados
orbitais do objeto.
A Starlink já lançou cerca de 700 satélites à
órbita da Terra. O primeiro era um teste, e diversos equipamentos apresentaram
problemas, como o 32. Dezenas deles estão sendo "derrubados" entre
agosto e setembro - é realizada uma manobra para reentrada na atmosfera. Esta
foi apenas a segunda vez que se tem registro de um deles se desintegrando e a
primeira por equipamentos profissionais. Na semana passada, um morador dos
Emirados Árabes Unidos filmou a queda do Starlink-40.
Nas próximas semanas, mais Starlinks devem
cair - algo comum com o aumento do uso de satélites, que têm vida útil
limitada. Por enquanto, nenhum potencialmente visível do Brasil. E fique
tranquilo: os riscos de ferimentos ou destruição por detritos deles são
praticamente inexistentes. Os satélites da Starlink são pequenos, pesando
aproximadamente 230 kg cada, e relativamente frágeis: uma fina estrutura
metálica que abriga instrumentos e painéis solares. Considerando a velocidade
orbital de 27 mil km/h e o forte calor do atrito com o ar, quase toda estrutura
é completamente desintegrada.
O plano ambicioso de Elon Musk é construir
uma constelação gigante de pelo menos 12 mil satélites, que pode chegar a 42
mil - para se ter uma ideia da dimensão disso, há cerca de 9.000 estrelas
visíveis a olho nu ao redor da Terra. Se bem-sucedida, a Starlink formará um
sistema global de Internet, mais barata e eficiente, que já está funcionando em
fase de testes em poucos locais dos Estados Unidos e Canadá. Astrônomos,
contudo, se preocupam com os planos, já que isso deverá atrapalhar inúmeras
pesquisas sobre o Espaço feitas a partir da Terra.
Confira o vídeo abaixo:
Fonte:
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/09/13/satelite-da-empresa-de-elon-musk-cai-na-terra-e-e-visto-sobre-sp-assista.htm